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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dezesseis verões

O encontro não foi tão casual como ela afirmava repetidamente para si mesma. O avistou em meio aquela multidão, olhando para ambos os lados, procurando-a. O coração pulsou mais forte, as pernas em vez de ficarem bambas, se fortaleceram ainda mais. Ela precisaria de coragem para ir ao seu encontro.

Puxou a mala e olhando para o chão continuou. Olhando e contando cada passo. Em cada ténue detalhe queria se lembrar daquele encontro. Chegou perto o bastante para poder respirar o seu cheiro, o mesmo que permanecia na sua blusa preferida. O perfume dela também se propagou no ar, ele logo reconheceu, a sua menina estava ali, num relance os olhos se encontraram.

Os braços dele estavam estendidos, esperavam ela chegar. Espera pequena e mansa, comparado ao tempo que se passou. Ela não demorou, se aconchegou ali. Foi tirada do chão, levitou. Mais por ter se aconchegado no acalento dele, do que por ter sido levantada. Como uma pena. Estava. Leve.

O tempo não os consumiam mais, eles o consumiam. Integralmente. E junto com esse consumo, vieram todos os piegas que costumam cercar os enamorados. E de todos os verões que haviam enfrentado, nenhum seria como aquele. E, nenhuma despedida marcaria tanto como um reencontro.
"Sua voz foi a trilha sonora do meu verão,
Você sabe que você é diferente dos outros?"
Thunder - Boys Like Girls

5 comentários:

Wilian Bincoleto Wenzel disse...

Que coisa linda, Carol!

Não ficaria melhor. Não se não tivesse sido você a criadora dessas palavras.

"O tempo não os consumiam mais, eles o consumiam."

Um beijo na testa! ;*

Lys Fernanda disse...

Adorei querida!

Ariana disse...

Perfeita, linda história!

Beijos

Marcus Malta disse...

Adorei,imaginei cada senssação, muito belo o texto.

Beijos

Maria Fernanda Probst disse...

Sabe, Loize.
To esperando por um encontro desse...